18 de abril de 2024
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Nilton Santos – Por mais mulheres no futebol e menos “homens meninos”

No mês das mulheres é importante lembrarmos do tamanho, da importância e da necessidade delas no mundo do futebol.

Em São Paulo, temos nos arquirrivais Corinthians e Palmeiras, as duas primeiras presidentes de clubes de futebol. Pelo lado do Parque São Jorge, em 1991, a Sra. Marlene Matheus foi eleita presidente do Sport Club Corinthians Paulista. Mulher do folclórico Vicente Mateus (haja o que “hajar”, Lero Lero, etc), cumpriu seu mandato entre 1991 e 1993 e nunca mais deixou de ser voz ativa na política do clube. Em 2007, tornou-se vice-presidente social e seu último movimento foi em 2018 apoiando a candidatura de Antônio Roque Citadini. Nos deixou em 2019, mas ficou com seu nome cravado na história do time do povo.

Já pelo lado do Palestra Itália temos na atual presidente Sra. Leila Pereira, exemplo de liderança, competência e boa administração. À frente do clube mais vitorioso da história recente do futebol nacional, a Sociedade Esportiva Palmeiras, e de mais 12 empresas, é mulher de opinião e como ela mesma se intitula, “reativa”. Tem minha admiração por um gesto simples, que não lembro de ter visto em um único diretor de futebol (homem): Leila já esteve de frente com a torcida do Corinthians, no estádio do rival, e foi muito bem tratada, tirando sorrisos e brincadeiras dos torcedores. Já vimos o mesmo acontecer no Maracanã, diante da torcida do Flamengo, que hoje é primeiro clube a fazer frente ao Palmeiras, com muita rivalidade. Recentemente assistimos a mesma cena diante da torcida do São Paulo, na final da Super Copa do Brasil. Não me recordo de um dirigente que tenha tamanha liberdade e respeito perante as torcidas adversárias.



Agora se for para falar de torcida, certamente as mulheres fazem um 7 a 1 nos homens com mais facilidade que a Alemanha sobre o Brasil em 2014. O futebol feminino nacional demorou a vingar mas hoje é cada dia maior enchendo estádios pelo Brasil. Elas seguem dando exemplo dentro e fora de campo. Nos estádios são educadas, são mães, são filhas que vão apenas para se divertir.

Enquanto do lado dos “homens”, infelizmente nos acostumamos a ver cenas lamentáveis e até mesmo trágicas. São marmanjos com 20, 30, 40 anos se espancando, se pegando, marcando brigas e afastando torcedores dos estádios de futebol e imediações.

Recentemente acompanhamos o absurdo ataque terrorista (sim, isso é terrorismo) de membros de determinada torcida organizada do Sport Clube Recife ao ônibus do Fortaleza Esporte Clube, que resultou em jogadores com lesões corporais graves e muito sangue espalhado pelo ônibus, algo horrível de se imaginar quanto mais de ver. Poderiam ter matado um jogador, alguém da comissão ou o motorista.

O STJ puniu o Sport com 8 jogos sem torcida. Justo, mas muito pouco. É preciso prender e expulsar definitivamente esse tipo de “homem” do estádio, a exemplo do que acontece em países da Europa, como Inglaterra e Alemanha (lá vêm eles de novo). Esses indivíduos precisam ser excluídos do futebol, somente assim vão começar a entender que atrapalham o espetáculo, seus clubes, a sociedade.

As mulheres também vêm conquistando cada vez mais espaço na imprensa esportiva, até então dominada pelos homens. São mulheres com opiniões, com visões de jogo e comentários diferenciados, que se consagraram no meio esportivo como Glenda Kozlowski, Renata Fan e Ana Thaís Matos. E como não lembrar da participação de Fátima Bernardes na cobertura da seleção penta campeã em 2002? 

Enfim, por essas e tantas outras, eu repito: por mais mulheres no futebol e menos “homens meninos”.

– Em caso de violência contra mulher denuncie no 180.




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