20 de abril de 2024
AgroDestaques

Plantio direto de amendoim na palha reduz em até 20% custo de produção




Resultados de 24 anos de pesquisas do Instituto Agronômico ( IAC-APTA ) envolvendo a agricultura conservacionista e o plantio de amendoim direto na palha da cultura anterior mostram que a técnica reduz o custo de produção em até 20% e a erosão do solo em 90%. O plantio direto na palha diminui ainda a infestação de pragas e doenças, a erosão e a aflatoxina, que impede o consumo do grão. Também aumenta a tolerância à seca e às adversidades climáticas e favorece a preservação da matéria orgânica do solo.

Segundo o pesquisador do IAC, Denizart Bolonhezi, a redução nos custos de produção varia de 10% a 20% graças ao menor consumo de diesel nas operações de plantio. O benefício fitossanitário ocorre porque a palhada contribui para reduzir a infestação de algumas pragas, doenças e plantas daninhas, além de diminuir a incidência e a severidade de doenças ocasionadas por vírus.

A semeadura na palha reduz em 90% as perdas de solo, condição que leva à conservação do solo, porque esse sistema diminui a erosão justamente por não o deixar desprotegido, sob a ação direta de águas da chuva.

A palhada também preserva a matéria orgânica do solo, que contribui para aumentar a quantidade de elementos químicos disponíveis para reter nutrientes e água. Essa técnica também favorece a atividade de microrganismos no solo.

“O amendoim é nativo da América do Sul e evoluiu com a biota presente no solo. Há uma tendência de uso de bioinsumos que são favorecidos pela palhada”, comenta.

Segundo Bolonhezi, boa parte da produção nacional de amendoim, que tem sua concentração no estado de São Paulo, segue para exportação e o plantio na palha favorece as certificações e adequações dos exportadores às normas ESG (do inglês,Environmental, Social and Governance, ou em português, Ambientais, Sociais e de Governança). Esse padrão beneficia também quanto aos créditos de descarbonização.

O Plantio Direto na Palha e o arrendamento de terras

O mercado tem mostrado que produtor de amendoim que não adota o sistema é preterido pelas usinas, que preferem não preparar o solo de forma intensiva. Essas empresas então optam por arrendar com sojicultores, que adotam o plantio direto e acabam tendo maior facilidade em negociar com as usinas.

Os produtores de soja, milho e algodão no Mato Grosso e Mato Grosso do Sul fazem uso do plantio direto. “Inserir o amendoim nesses novos arranjos produtivos demandará saber produzir palhada – insumo farto e disponível nas áreas de reforma de cana”, considera Bolonhezi

O pesquisador esclarece que a busca por arrendamentos de terras em outros estados se deve mais à mudança na escala de produção de uma parcela dos produtores, que necessitam de áreas maiores. Nessas novas regiões, a semeadura direta será importante pois já é realidade para outras culturas, como soja e amendoim.

“A grande vantagem da parceria com a reforma de canaviais é o vazio sanitário que a cana proporciona (5 a 7 anos sem outra cultura na área). Isso não ocorre em outros arranjos produtivos, demandando maior atenção dos agricultores, pois anos sucessivos de cultivo de amendoim podem inviabilizar a atividade em decorrência de pragas e doenças”, alerta.

Da Secretaria do
Estado da Agriocultura

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